DO MAIS FUNDO
  A QUATRO PERNAS

Como? Você quer a fala deitada?
Morda-se!
, o que posso cuspir de imediato é que não há coisas para dizer. Um floco de neve no calor. Tripas acesas na janela e o rabo, chefe. O rabo de olho perseguindo o trajeto da magreza. Sinto paixão pela magreza, as costelas à mostra e todo esse fenômeno estúpido de sair como uma vira-lata presa na solitária,
E no túnel o final do cuspe com abertura saindo pela culatra.
E então chefe, me dá uma carona pela praia? Deixa por lá as patas molhadas de cavalos e o berro.
Dizem que somos quase parentes e que por isso aderimos ao quase nada.
Deita apodrecido e confesse que me come antes que trucide os teus nervos num só rasgo!

 

Confesse que há mais jornada nessa égua-mula-dada que em mil demônios prontos para carnificina. Olho por detrás da tela e a saliência de uma veste momentânea me fode o espetáculo. Entro em tudo, chefe. Entro em tudo e quero ser

 

 

entrada.

Pausa para palitar os dentes e delícia. Entupi tuas cáries com minha língua em riste e teu pau derreteu, sacudiu-se histericamente calado. Sacudiu um algo em mim que não se vê sacudido em nada.
Rio da sobremesa em curso.
Meu garfo tem duas conchas de camelo na bexiga e te guardo para a próxima mijada.
Espera! Ouço um pássaro. Bonito!
É engraçado como minha vó e minha mãe se anunciam na floresta de machados.pedacinhos-espantalhos pendurados nas árvores. Retorcidos. Espanta-te?

Vejo de dentro do líquido gozoso deus e suas vestes umbilicadas de pequenos achados. Mas estou perdida porque não amo até encontrar a peste. Até encontrar o sumo derretido.

 


 
Tenho quatro mãos que sangram no pescoço. É hora da fogueira, penso.
Você não será minha cruz.
Gozo em hóstias e te batizo.

gozo em hóstias. meu gozo é líquido.

 

(P.S: esse texto foi feito em parceria com Grazzi Yatnã pq pernas meu bem também são asas!)



Escrito por jorgeana braga às 14h21
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  Sentido da palavra-monstro para uma menininha com medo de escrever.

Desenho: Tresa.

 

 

As palavras não têm pele, Lara. Essa é a expressão que contém o que não mostro. O auge é silenciar a potência, ir desligando-a aos poucos, aproximar-se assim do precipício como louca e não ter medo. Movo sinais, eles são murmúrios em suspenso como teus balões coloridos nas mãos pretéritas da avó. Existe sim  a palavra-coisa, monstro desavisado que possui a cara da delícia. O bizarro é que o que quero dizer está no avesso mundo onde se mantém mudo o sentido. Desmascare-o Lara, o sentido é roto, está sempre à espera de mãos delicadas. Lembra daquela brincadeira, tu eras bebê. Eu vestia a cabeça e quando estava prestes a verter choro, eu aparecia, e teu solucinho infantil era o sentido do amor tomando o susto. É assim com as palavras em mim Lara, tomo susto de amor quando elas decidem se mostrar. É por isso que às vezes me pegas chorando à beira da cama como à beira do precipício e nem sei te dizer o porquê. Não posso ser ordinária, Lara e negar-me a ser um algo que se estranha sendo. A metáfora do espelho, aquele mundo que a gente só vê quando se vê, mas se ver é o mesmo que admitir que certas coisas sejam impossíveis de se tocar ou, ao menos, aparentam a intocabilidade. A única maneira é – deixar fluir - os monstros se desfazem, o sentido, meu amor, às vezes veste máscaras precipitadas de mistério e, mesmo que feios como “facínora” “incontestável” “particípio” “esdrúxulo” “idiossincrasia” antecipamos beijá-los nos lábios e torná-los íntimos. Só assim podemos “varrer a sujeira do mar”.



Escrito por jorgeana braga às 11h06
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Abertas em leque as passagens se tornam esferas    súbitas

 

Sacrossântica assumo a cadência manifesta de um nada preso a miúdos

 

Varinha mestra serve-se de sol a pino

 

Luz insiste em escapar por dentro de mãos em concha.

 

 



Escrito por jorgeana braga às 17h20
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  nhac

 

Presente de Roberto Sampaio (Beto beot).



Escrito por jorgeana braga às 10h25
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  nham

P/ su, ricardo e ana carolina b p.

 

- Tu es libre ce soir?

    - Je suis desolée

 

 

 

 

Apelo aos incontestáveis mitos de ana.

conte-me um segredo e penduro o brinco holístico de su no teu joelho.

[su é linda ana]

 

a noite aparenta-se  sonolenta e os desejos  insistentes vencem tabus estômago mente útero ou entre aspas a parte gozadora da tristeza que o corpo arrasta em transe.

 

Não há melancolia em dormir.

 

 

Olho solto do rosto pedaço de boca incompleta que as retinas em uso aprendem a rever por dentro no destroço usado de sentenciar o ‘ver-te’. É possível ter o que se pede.

 

Prefiro fumar.

 

 

 

 



Escrito por jorgeana braga às 02h32
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  ARES [dedicado a Paulo Melo Souza]

 

 

 

 

 

pequenas asas de borboleta

leves e nocivas

percorrem o mofo do meu traço

relincham às horas mortas do tempo

hic hic hic

e bebem tirando fotos das nuvens de black-tie.



Escrito por jorgeana braga às 18h56
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  melancólicas

 

 

 

 

 

para catarina

[pq a questão do frio vc já sabe]



Escrito por jorgeana braga às 09h32
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"guache sobre uma porta velha!

 

 

 

Abri os olhos. Contei os postes. Era noite.

 

Na janela via silhuetas. Devagar andando pelas ruas da pequena ilha  a melancólica chuvinha molhando minha sandália de couro, poças d’ água alimentadas pelo esgoto, refletia.

 

Não sei o que sinto.

 

Observo-me de fora para dentro, às vezes pareço um monstro não sei de que gêmea, talvez nenhuma. Algumas vezes sinto-me deformada, a corcunda solta na costa, vontade de me largar no asfalto e que os carros possam passar por cima, não tenho corpo, a chuva fina sabe, ela ultrapassa, atinge imaterialmente aquilo.

 

É assim que chego na casa, as paredes derruídas crescem as uvas daninhas por todos os lados a cor rosácea já sumida das janelas imperfeitas. Por dentro, sumo de fantasmas. O amanhã era para ser outro dia.

 

 

Entro.

 

Falo sozinha. Há eco de porta rangida.



Escrito por jorgeana braga às 14h56
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  MEU VESTIDO DE CÃO NEGRO

 

flor dos amantes (NADJA- Breton)

 

 

 

Há alguma coisa estúpida c. nessa forma de estar que se principia no primeiro pé atravessado de velhice. Ontem vi d. esculpindo o monstroculto que lhe devora. submundo tão nosso tão desestruturadamente físico. Tão inopnadamente só. E ao configurar-me meio-dia a dentro em volta da hora inumana do almoço   pessoas entorpecidas e precárias mirando pratos verdes. são elas os bois mortos as ovelhas entupidas os galos depenados.

 

Sento-me na mesa a dois anos.

E nada.

 

 

c. não sei o que está havendo com nossa singularidade, mas estamos passando cheios de poeira, poeira amarelenta daqueles que estão desorganizados para o mundo inteiro.

 

A gente nunca quis estar aqui. O visível nunca foi a ilha alegre de edição. Isso fica para a infância ocorrida atrás de árvores ensolaradas, de ruas cagadas por jumentos, da ilesa manhã de todos os dias quando os dias aparentam o para sempre.

 

Visto roupas comuns c. uma subpele na pele. A ordem da espera é o des-espero.

 

[criancinhas estão sendo cuspidas para todos os lados e d. me disse que a maior perfomance é o desaparecimento]

 

 

até a morte encerra uma forma açucarada de espetáculo e há os que aplaudem substancialmente cheios de alarido.

 

 

 

 



Escrito por jorgeana braga às 13h58
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"há uma borboleta no sangue oculto das coisas"



Escrito por jorgeana braga às 10h03
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  AMARO

 

a piedade abraçada ao cadáver do sol desce o submundo branco despojada de vísceras

 

[a tristeza é um abandono cego ao que nem sequer sustento]

 

qualquer beleza - eterna ou mutável - não abarca um sem nome que permanece silêncio

 

invocar algo só para os de falange estúpida como eu e dyl

é que as coisas contêm a quimera-lago numa quimera-monstro

 

 

lá no fundo azul da água o que era gaivota sincopava a melancólica espera que habita

o para sempre

o cadáver do sol persegue o que espero e o que espero

não chega.

 



Escrito por jorgeana braga às 08h30
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  põe tia, pôe no blog! rs

Sou a mulher mais invisível desse mundo!

 

As coisas sempre me atravessam, aos montes. Outro dia estava conversando com uma andorinha e ela me disse que nem ela tem a leveza do meu corpo.

 

Ela voa, mas eu atravesso as montanhas. Ela não me vê lá de cima, mas eu não a perco de vista. O seu vôo alto, ela sabe o quanto é feliz de quase tocar as estrelas.

 

E eu, eu continuo aqui, atravessando coisas para senti-las no seu íntimo! As vezes atravesso a cadeira de embalo que era da minha avó, tentando sentir o movimento da cadeira rec rec, tento sentar nela e epa, atravesso as almofadas, o chão, a terra, atravesso uma enorme faixa de areia, e chego no centro da terra, e o centro da terra é quente, uma labareda enorme mas que não me queima porque nem tenho pele, sou invisível... e continuo a cair, cair, cair até tudo ficar escuro e eu ver a Terra e o sol como um pontinho mágico no universo.

 

Quem diria que cair é o mesmo que voar!

 

Para os três porquinhos: Lara, Lunna e Kaíque.

 



Escrito por jorgeana braga às 10h13
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  ANOS

 

 

sobriamente alcoolizada

 

transfiguro

     

                    a minha sombra

 

em retrato do escuro

 

                               somada

 

ao meu trigésimo quarto nada.



Escrito por jorgeana braga às 10h31
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  A CASA DO SENTIDO VERMELHO

 

 

quando a pele deixa de ser

breve

quando o outro é só o

osso

esfera de aço

enrodilhada

na carne-véu do pescoço

 

peço que desça a forca

 

                                ruidosa.

 

 



Escrito por jorgeana braga às 12h40
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assustadora

amorfa

mais que amor

entrego tudo

sendo casulo

célula-ovo

borbolesma

...

qualquer coisa que se possa comer

sem sobremesa.



Escrito por jorgeana braga às 10h28
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