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para jonathan.

Imagem: Ana Mendieta.
Nessas minhas enigmáticas travessias, quando eu entendia que era a vida e sua circunstância quem punha, em meu caminho, elementos mágicos; algum livro perdido em uma estante velha de sebo, um disco esquecido no guarda-roupa de papai, ou o cabelo de Catarina espalhando cheiro de cinza quando a gente ia ver o mar na beira-mar, eu lia por detrás das coisas e quase intuía que o espaço entre mim e o outro era mais importante que o famoso e tão defendido universo interior que me girava por dentro, ou mais importante que a cornualha de incompreensão que o outro fornicava em mim e versa-vice. Existe esse espaço de acontecimento que, lentamente, como quem acorda de um sono profético, começo a ver, e vejo porque a saída não é necessária, ela só é possível e isso é o bastante para quem nada espera. Pensei então, o entre, aquilo que está em meio a todos nós, como grande feixe de cruzamentos não é um monstro engolidor de corpos e cabeças, o entre tampouco é convite para adentrar, não é janela nem porta, não é fora ou dentro, o entre é a única possibilidade onírico-real de vencer o fato de que nos tornamos mortos. A morte mesmo é insistir nessa falha absurda de parar de se relacionar com os da mesma espécie porque o “universo interior” é realmente “auto-sustentável”. Ah, vou dizer como quem cospe e vomita ao mesmo tempo: ele não é. E vou cuspir além; durante muito tempo o que chamei de sonho foi um profundo e insustentável individualismo e como a menina que começa a andar volto o olhar enigmático para as velhas travessias.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 18h09
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ALGUM ELEMENTO HÁ SOBRE O QUE SE ESCREVA.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h40
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o que me matém viva é a morte

Ana Mendieta - artista cubana que fez de um salto mortal a sua esfera viva. Para ela a ausência é que torna presente a ideia de corpo.  
Unica Zurn, companheira de Hans Bellmer. Escreveu Primavera sombria e o Homem-jasmim. "No fundo - a voz tênue do instante é minha melhor bala encovando-me".
Escrito por copyright by jorgeana braga às 18h25
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em Marte com o Dr. Manhattan

Não leio quase nada nem mais escrevo. Subitamente nem sequer me interesso por algo dito nem por quem o diz. O mundo é essa estúpida repetição cansada ondas que se sobrepõem de forma idêntica e desarmoniosa. E o que falo não é sintoma de nenhuma falta química não tomo Rivotril. Não existem mais paisagens para serem vistas até o sol se tornou inimigo. [Into the wild, essa coisa que me desmontou o espírito - ouço em seu fundo a badalada manipulação]. Vou até contar como se conta um segredo que essa mania de manipulação já está interiorizada. É festa na arquibancada geral. Posso ser louca mas não vejo a beleza. Posso ser louca não suporto o “atesto” da esquizofrenia geral; hierarquias no trabalho gente comendo sem fome trepando sem vontade inventando parceiros inúteis. Como disse um amigo (os raros que sobraram) “é preciso abandonar a origem”. O que é diferente da origem? A paisagem? Os monumentos? O ir e vir? A minha cama é São Paulo Londres Tóquio. E não é. Fecho os olhos e apago o mundo. Invento rodas gigantes silenciosas. Não acredito nelas. Escrever para quê.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h31
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Dyl setembro e a pertodistância.

é tão vívido na minha memória o nosso primeiro encontro que ainda sou aquela menina perdida desenhando sóis e luas no chão de areia no fim de mundo bar. e tu ainda é o olhar quente e morno e a aquiescência perfeita. se olhares para o céu, aí, onde te encontras o meu sinal de fumaça estará presente nesse início de setembro. eu-tu e nossa fuga da luz.
Evoé baco!
Escrito por copyright by jorgeana braga às 18h47
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Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h24
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Foto: Beto beot. A destruição do amor é mantida por 8 gerações...o mar te trouxe até mim; nem casas em ruínas ou casarões antigos guardariam minhas vidas porque me sobra ser o isso-resto. A memória não-sentida dos lugares em que me habitavas transforma o chão o sangue alegre em sobra opaca do que eu não sabia. Eu nunca sei. É essa a minha missão. Inicio as coisas acreditando no isso é possível. O chão existe bem mais que nós, o chão, o pedacinho de chão no meu quarto, ao lado da cama, quando o vejo ele detem o que chamei delicadamente de redenção. Sou veículo apenas não o fim, sou a atividade-meio não a atividade-fim, meio que fez teu coração redescobrir a anti-morte, o coração natimorto encerrado na torre mais alta de algum país, batendo, batendo, batendo,batendo...batendo. O-que-sinto-toda-idiossincrasia-o-que-sentes, possui um tempo. Não responde como sopro imortal do teu amor-diamante. O meu morre em ti e não atravessa sepulturas e crematórios. Por vezes não atravessa nem meu corpo, sequer percebe que meu coração é uma porta sem porta.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 22h36
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claro.
 É fácil amar o que parece certo mas vai amar o desvio amar a não-exclusividade o excesso de clareza. Ouço do flamboyant a sua origem e o pau que ela achou lindo atravessa meu coração.O dia cai. Vês aquela réstia de luz move-se como a mão dela no pênis perfeito de um estranho. [as minhas estão cerradas] Sofro de uma espécie ausente de ciúme latejo o invisível ao lado oposto do que poderia. O quarto quente de hotel três depressivos ou bipolares como há o costume-sopro de um dia só. Sou o fantasma de um dia só. As festas da delicadeza se manifestam em jatos de vômito. O que fazer se o flamboyant sobrepõe-se à casa em ruínas. Ele não sai dos meus olhos. Nunca mais. Nem de luto chegando nem de luto partido. A ordem secreta de nítida desordem. Clara como o incesto.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h37
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silêncio na linha silêncio na linha silen CIO na linha.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 20h15
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SOUVENIR

Aparelho quebrado que não mede.
A cutícula suja da mão imóvel. O que posso tocar etérea.
Se outro espaço habita tua sobra. Se mãos antigas mostrar-se-iam amáveis e não mortas. A porta de entrada que transubstancia alegrias, meu amor.
Era sonho tua matéria-prima. Era memória não sentida os lugares em que me habitavas.
Sou muro e cal e pendo para o lado errado.
A melancólica porta de saída e os fundos de um parque de diversão fantasma.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h52
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A LEITORA

Arte: Duchamp Entrego-te à leitura do código genético
Lê!
Olhos com a precisão dos manuais
Mãos com instruções de sua ocular membrana
Consoante palatal em capa grega
Lanternas apontam um futuro contínuo Uma clareira em meio ao tempo O meu tempo em suas duplas omoplatas
Vias ductéis a contornar o lençol-toalha De onde decalco teu colo e pólos
O saber e o traduzir O ser e o sentir Mesclam-se em iluminadas impressoes
Do suco das flores Trago a imaculada dimensão afetiva
Injeto doses do absoluto molhando teu plexo Over and over Até beber o mais cassis dos licores
Sobrepostas em mim Suas taças sanguineas O suave tinto a desaguar em mitológicas grafias
Lê! Coração de tinta acobreado Persianas tais quais cílios Veem a primavera do nosso primeiro outono
Almas de Melissa A mais intensa das decodificações O frêmito toque, somente agora, o sinto
Entre barras em código e linhas de produção serial Um artesanal encontro Raridade
Máxima união em pontos de toque Cerrados no rosa quartzo Muros violetas em letras decimais
Questão de genes,traços e riscos escritos Ao som de um single Valsas cafeinadas
Àlacre promessa Double A música nos lê em cada opus
Em seu digital código Minas terrestres explodem em noturnas confissões
Cobres o marfim de cor-noite Não mais telas em branco Não mais névoas no espaço
Ao mais belo dos portais, permita-me conduzi-lo
À oliva de lábios Á overdoses de certezas Irreversivelmente ao meu amor..
Está escrito.
Lê! [KELLY 'PLENTZ' CARRILHO]
Escrito por jorgeana braga às 16h18
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O sol desliga insistentemente o buraquinho do meu umbigo. Não ouço muita música agora. As cores estão envolvidas com a sombra pálida da tua ida. As portas estão caindo do céu.
Escrito por jorgeana braga às 14h39
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nada é sério.as coisas não tem tempo. a delicadeza é um posto de vacinação do absurdo. sombra projetada para não realizar milagres: culpa meus caros não existe. é dogma cristão da mediocridade. as cores da máquina de fotografar assolam o ausente. ‘feliz e infeliz misturadamente’. ana e guimarães são fantasmas de uma tarde só...
Escrito por jorgeana braga às 16h47
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'caos calmo'
‘ela pede socorro em silêncio’. o dia é lâmina: cabide de guardar chuva: J sou comprida nessa malha que enerva. tenho medo de olho por hora. desafirmo.‘anti’ em tudo. não há medida. o problema em afirmar ‘eu não consigo’ é sumir a olhos vistos. tenho medo de olho. eles bóiam desespero lerdo. é a água funda do rio Ouse. só sei que eu assim – cílios úmidos e um secador de cílios – não estou lá.
Escrito por jorgeana braga às 10h55
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'plentz'
pode é inventar silêncio. um coração morto é um cadáver dentro do corpo.
Escrito por jorgeana braga às 12h46
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