DO MAIS FUNDO AO CABO DE GUARDAR CHUVAS...


anatomias.

 

 

 

Engolindo sapos. Estômago doendo. O afeto que desejara doando lugar ao desconforto de uma hipoterrmia. Esse nosso “ vivido” mostra algo de vulgar até, o desconforto da solidão  (digo, passar as experiências) e toda sorte de medos e escurecimentos ao redor. Estranho, atualmente parece ser necessário perdoar o outro e isso tira qualquer força do perdão, aliás, forma pessoas intransigentes, absolutas e selvagens. A violência nas relações é tão comum que acho mesmo que o espanto é a face coletiva. Mas o espanto, quase que geralmente, não dá lugar à contenção. E as imagens se desmoronam, mentirosas faceiras. O mundo virtual é talhado em imagens. Talvez até se possa deduzir, precipitadamente ou não, que, o que se posta, raramente é o que é. Assim, o que não é é a possibilidade de relacionamento, v

.irtual. então, se pode desaparecer tranqüilo, as estáticas continuam lá, e é mais fácil fugir de mais um luto, de mais uma discrepante tentativa. No meio virtual é o desaparecimento que “é”, forja-se um estado de espírito, uma máscara (ah talvez seja necessário falar de outra coisa) uma fuga de si mesmo, do mundo, dos contatos pelepele. Não que seja regra, há suas exceções, mas, ainda assim, dentro dessas, ainda pode-se ver, em miniatura, o vibrião de uma ocultação.  Assim, como se oculta um cadáver depois do crime.

 

 

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 10h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




quatervois

 

 

Os instantâneos. Ah não se tem corpo quando se tem corpo não se tem cabeça quando se tem os dois ambos se separam como se um não fosse... a esquina. A beleza desamparada numas imagens de tecido finíssimos. O toque, esse ancestral da condição humana.

Ontem escutei algo que me faria...  esqueci. E não sou “eu” que “esqueci” mas um “nós” sobrepujado na pessoa que desaparece. Sim, perto da casa de [  ] [não interessa a pessoa] morava uma velhinha alemã que varria a calçada com uma varinha de madeira. Descascava o tempo lentamente expulsando da calçada a tarde que vazia. Algumas águas polvilham nossos olhos de repente durante



Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h32
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




manual lowen para não ter corcovas.

Preciso. É preciso. Estar aqui . Senão a língua vai arder, os dedos irão cair. O corcunda de notre dame fez casa nas minhas costas e não trouxe uma florzinha. Bem em cima do ombro (cinturão de saturno, mas quis mesmo dizer primeiro júpiter).

Tudo é tão apressado.

Mini férias – imagens belas que ferem o cotidiano – raras. Alguns passarinhos sobrevoavam o jardim lá de casa. Pousando em vovó Vavá ( a árvore que leva o nome da minha  avó já morta)

Parti vovó Vavá ao meio em pleno acesso de fúria, depois chorei agarrada às suas folhas até sair – do meu corpo e garganta – os primeiros soluços do mundo.

É fácil a gente se plantar, difícil é nascerem as raízes.

Depois havia terra debaixo das unhas. Um sol desconfiado pousando no céu fervendo o topo das casas. Em casa não há muito sol e nos presídios homens e mulheres procuram o pátio.

Dizem que quando não há argumento há gritaria. É por isso que o mundo não é silencioso.

a)      Pintar parede é anti depressivo

b)      Desço a rua são João e  as casas antigas  me animam, mesmo as condenadas

c)       Odeio trabalhar, esse instrumento de tortura contemporânea.

d)      Acho que vou chorar.

 

Observação entusiástica: de acordo com Alexander Lowen chorar faz bem. Soluçando alto e tudo mais. Não precisa se envergonhar, mesmo que você fique com queixo de imbecil e sua mãe diga que homem não chora. Mesmo que seu companheiro chame você de mulherzinha ou seu patrão diga “deixe seus problemas na porta da rua” Mesmo que seu melhor amigo fique envergonhado no bar, ao seu lado. Berre, chore alto, esperneie. Saia de rosto inchado pelos ônibus,olhe-se no espelho. Alexander Lowen também diz que chorar deixa a gente mais bonito (eu acho que agora todas as anorexas vão desfilar chorando).

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 16h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




toda terça do mês de janeiro no ODEON SABOR E ARTE

ADAPTAÇÃO DO LIVRO CEMITÉRIO DE ESPUMAS: JORGEANA BRAGA

DIREÇÃO: CÁSSIA PIRES

COM: CINTIA PESSOA E PATRÍCIA ARANTES



Escrito por copyright by jorgeana braga às 16h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 

HOJE SONHEI QUE ESTAVA NUA E MENDIETA ME COSTURAVA A VIRILHA.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 13h06
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Quando ele fecha os olhos é absorvido pela ventania do mundo dos mortos. Não se sabe bem quem são os seres, mas a tristeza substancia o coração mesmo quando o sorriso espanta o frio que invade. A beleza em se chegar até ali é que a estadia é amparada pelo fechar de pálpebras e acariciada por um amor interrompido. Pode-se, inclusive, ver, hora ou outra, por entre as tarjas negras que decretam a escuridão, Dante concluindo amigáveis conversas com Nerval. Posto que nenhuma hora é objeto de passagem, o tempo congela as “validades vencidas”e muitos olhos estreitos dissimulam mundos ilusórios e extensas melancolias. A dificuldade está em explicar que o sonho deixa de ser um devaneio absurdo para se tonar a contra-ordem que é a ordem da contra-ordem. É difícil descrever, a estrutura é particularidade ingerida em lentidão, e lá, quando ele fecha os olhos, não há parte, todas as buscas acontecem ao mesmo e recaem em um funil profundo que tem sua base no encurvamento de prédios antigos e altos ou na convergência relegada ao único rosto que já não existe. Ele sente que tudo ali tem um espírito pobre e estabelece a noção de um bem perdido e, movendo a órbita do olho por dentro do sono, vê que nada há que se mova que queira voltar à vida. Docemente Eurídice aparece sem olhos. Ele sabe que tudo que enxerga vê para dentro, ali é o dentro sem uma segunda via, ali é o dentro de onde qualquer instância pode ser ouvida, ali é o dentro de quando ele fecha os olhos e é absorvido pela ventania do mundo dos mortos. Não se sabe bem quem são os seres, mas a tristeza substancia o coração mesmo quando o sorriso espanta o frio que invade. A beleza em se chegar até ali é que a estadia é amparada pelo fechar de pálpebras e acariciada por um amor interrompido...



Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




onde partem os barcos para...

 

 

 

 

A camisa branca suja de dia. Telas em aberto voam de repente.

Cerejas maduras depositadas ao fundo. A língua tingida de vinho.

SLZ. A noite define pequenas alegrias. Ninguém nas calçadas.

O cais expulsa canoas e barcos.  quando o fim de tudo parece o fim da beira-mar.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




saturno.

 

Foi uma quimera andar por entre as vagas personas que o mundo me apresentara, é onde uma sensação tarantular invade a maneira de perceber o que não há. Andrajos disformes e curvas sinuosas se fizeram perfeitas em meu espírito, não sei como definhar a forma antagônica do meu mundo interno, posto que a época em que vivi apenas adoça e recebe andrajos de linguagem. Só pude dizer “sins”, muito mais “sins” que não. É necessário apontar a descida do “não” como a saída necessária, muitas vezes vantajosa, muitas vezes a única. saída.

Sou um melancólico, às vezes amarelo sentado em um restaurante, bebendo a folia alheia, não sou eu que sorrio, é algo como a cara da minha cara, forma tão distante que nem sequer estranho quando se torna estranho. Mas não falo, levanto copos e brindo, vou a festas e sorrio, sorrio muito, “olá tudo bem?” “não, não viajei nas férias.”   “ah sim, compras de natal.” “claro, gozei horrores”, “recebo todos lá em casa no domingo”.

Prestes a fazer alguns anos a mais no calendário decidi parar a vida, não, nada de suicídio renascentista, apenas resolvi parar a vida, parar tudo, não impregnar as coisas de continuidade, mesmo que uma aspereza acompanhasse meus primeiros movimentos, a paralisia de tudo se fez premente, necessária mas não triste.

A tristeza é só um detalhe do tempo.

 

Resolvi que meu novo nome seria Saturno.

 

Acontece que as pessoas, principalmente as queridas, não estão preparadas para reconhecer um estranho, acontece que quando mudei de nome meu rosto também resplandeceu a mudança. Acontece então que o lugar da verdade é solitário, é como beber água fervendo, é como ir contra a natureza.Acontece.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




mais um que é menos um.

 

 

 

Tela: R. Sampaio

 

 

deixo ir

em qualquer lugar o movimento de ida tece o movimento de ida

são abutres companheiros de uma perdida insone

 

deixo ir

posto que a ida é o lugar certo da v   ida

e tudo que é solto resplandece o bonito.

 

Minha alma brinca é com as camélias.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Linha 702.

 

  

 

 

 

a mulher à frente encolhe a mão gesto bruto. longo tremor se agiganta

 

[o coração é uma delicadeza esquisita]

 

percebo quando dispara na cadeira vazia do coletivo.

 

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 12h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




partilhar o sono

 

anelo numa noite que foi cinza e sábado será a maior lua cheia da década.

(a lua que me fez companhia mítico-silente derramando-se)

Malbec

o alto telhado

e mais uma vez para sempre estender horizontes

o quanto estou viva-morta pedaços boiando na rua podem avisar.

o mundo não permite a expansão posto que três é melhor que só mais só.

E a delicadeza é detalhe explícito de quem ama fora do que é permitido moer.

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 16h31
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




com.

 

 

 

         Na estação da luz unhas roídas se tocaram. Ela. Sentada em vestes de meia preta.

 

                                                       la petit mort.

 

 

C       Contabilizo:

 

·         a casa-ruína batizada de Capitu.

·         um antiquário no Bexiga

·         evoés timidamente guardados à distância como se carneirinhos fossem pulando cerca quebrada.

 

 

 

 

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 13h19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




INFÂNCIA

Desisti de lutar contra

 

Agora orquestro sombras



Escrito por copyright by jorgeana braga às 20h54
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




repulsa ao sexo

 

 

Ana era tardia suas vestes de meia preta tocaram o meu coração

O meu coração é um circo de palhaços mortos.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




o monstro do vale da lua

 

 

 

vi os arcos

quintal em estreito escuro.

pequeno tremular aquático

 

baixinho digo que sou um monstro no vale da lua

ela acampa em silêncio.

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
   dyl pires
  grazzi yatnã
  gaena des bois
  lol (carolina vivi)
  beto beot (roberto sampaio)
  Lehgau-z
  renato torres
  equinócio.
  Mariana Tibo
Votação
  Dê uma nota para meu blog