DO MAIS FUNDO AO CABO DE GUARDAR CHUVAS...


toda terça do mês de janeiro no ODEON SABOR E ARTE

ADAPTAÇÃO DO LIVRO CEMITÉRIO DE ESPUMAS: JORGEANA BRAGA

DIREÇÃO: CÁSSIA PIRES

COM: CINTIA PESSOA E PATRÍCIA ARANTES



Escrito por copyright by jorgeana braga às 16h28
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HOJE SONHEI QUE ESTAVA NUA E MENDIETA ME COSTURAVA A VIRILHA.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 13h06
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Quando ele fecha os olhos é absorvido pela ventania do mundo dos mortos. Não se sabe bem quem são os seres, mas a tristeza substancia o coração mesmo quando o sorriso espanta o frio que invade. A beleza em se chegar até ali é que a estadia é amparada pelo fechar de pálpebras e acariciada por um amor interrompido. Pode-se, inclusive, ver, hora ou outra, por entre as tarjas negras que decretam a escuridão, Dante concluindo amigáveis conversas com Nerval. Posto que nenhuma hora é objeto de passagem, o tempo congela as “validades vencidas”e muitos olhos estreitos dissimulam mundos ilusórios e extensas melancolias. A dificuldade está em explicar que o sonho deixa de ser um devaneio absurdo para se tonar a contra-ordem que é a ordem da contra-ordem. É difícil descrever, a estrutura é particularidade ingerida em lentidão, e lá, quando ele fecha os olhos, não há parte, todas as buscas acontecem ao mesmo e recaem em um funil profundo que tem sua base no encurvamento de prédios antigos e altos ou na convergência relegada ao único rosto que já não existe. Ele sente que tudo ali tem um espírito pobre e estabelece a noção de um bem perdido e, movendo a órbita do olho por dentro do sono, vê que nada há que se mova que queira voltar à vida. Docemente Eurídice aparece sem olhos. Ele sabe que tudo que enxerga vê para dentro, ali é o dentro sem uma segunda via, ali é o dentro de onde qualquer instância pode ser ouvida, ali é o dentro de quando ele fecha os olhos e é absorvido pela ventania do mundo dos mortos. Não se sabe bem quem são os seres, mas a tristeza substancia o coração mesmo quando o sorriso espanta o frio que invade. A beleza em se chegar até ali é que a estadia é amparada pelo fechar de pálpebras e acariciada por um amor interrompido...



Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h55
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onde partem os barcos para...

 

 

 

 

A camisa branca suja de dia. Telas em aberto voam de repente.

Cerejas maduras depositadas ao fundo. A língua tingida de vinho.

SLZ. A noite define pequenas alegrias. Ninguém nas calçadas.

O cais expulsa canoas e barcos.  quando o fim de tudo parece o fim da beira-mar.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h21
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saturno.

 

Foi uma quimera andar por entre as vagas personas que o mundo me apresentara, é onde uma sensação tarantular invade a maneira de perceber o que não há. Andrajos disformes e curvas sinuosas se fizeram perfeitas em meu espírito, não sei como definhar a forma antagônica do meu mundo interno, posto que a época em que vivi apenas adoça e recebe andrajos de linguagem. Só pude dizer “sins”, muito mais “sins” que não. É necessário apontar a descida do “não” como a saída necessária, muitas vezes vantajosa, muitas vezes a única. saída.

Sou um melancólico, às vezes amarelo sentado em um restaurante, bebendo a folia alheia, não sou eu que sorrio, é algo como a cara da minha cara, forma tão distante que nem sequer estranho quando se torna estranho. Mas não falo, levanto copos e brindo, vou a festas e sorrio, sorrio muito, “olá tudo bem?” “não, não viajei nas férias.”   “ah sim, compras de natal.” “claro, gozei horrores”, “recebo todos lá em casa no domingo”.

Prestes a fazer alguns anos a mais no calendário decidi parar a vida, não, nada de suicídio renascentista, apenas resolvi parar a vida, parar tudo, não impregnar as coisas de continuidade, mesmo que uma aspereza acompanhasse meus primeiros movimentos, a paralisia de tudo se fez premente, necessária mas não triste.

A tristeza é só um detalhe do tempo.

 

Resolvi que meu novo nome seria Saturno.

 

Acontece que as pessoas, principalmente as queridas, não estão preparadas para reconhecer um estranho, acontece que quando mudei de nome meu rosto também resplandeceu a mudança. Acontece então que o lugar da verdade é solitário, é como beber água fervendo, é como ir contra a natureza.Acontece.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h12
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mais um que é menos um.

 

 

 

Tela: R. Sampaio

 

 

deixo ir

em qualquer lugar o movimento de ida tece o movimento de ida

são abutres companheiros de uma perdida insone

 

deixo ir

posto que a ida é o lugar certo da v   ida

e tudo que é solto resplandece o bonito.

 

Minha alma brinca é com as camélias.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h13
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Linha 702.

 

  

 

 

 

a mulher à frente encolhe a mão gesto bruto. longo tremor se agiganta

 

[o coração é uma delicadeza esquisita]

 

percebo quando dispara na cadeira vazia do coletivo.

 

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 12h21
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partilhar o sono

 

anelo numa noite que foi cinza e sábado será a maior lua cheia da década.

(a lua que me fez companhia mítico-silente derramando-se)

Malbec

o alto telhado

e mais uma vez para sempre estender horizontes

o quanto estou viva-morta pedaços boiando na rua podem avisar.

o mundo não permite a expansão posto que três é melhor que só mais só.

E a delicadeza é detalhe explícito de quem ama fora do que é permitido moer.

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 16h31
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com.

 

 

 

         Na estação da luz unhas roídas se tocaram. Ela. Sentada em vestes de meia preta.

 

                                                       la petit mort.

 

 

C       Contabilizo:

 

·         a casa-ruína batizada de Capitu.

·         um antiquário no Bexiga

·         evoés timidamente guardados à distância como se carneirinhos fossem pulando cerca quebrada.

 

 

 

 

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 13h19
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INFÂNCIA

Desisti de lutar contra

 

Agora orquestro sombras



Escrito por copyright by jorgeana braga às 20h54
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repulsa ao sexo

 

 

Ana era tardia suas vestes de meia preta tocaram o meu coração

O meu coração é um circo de palhaços mortos.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h19
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o monstro do vale da lua

 

 

 

vi os arcos

quintal em estreito escuro.

pequeno tremular aquático

 

baixinho digo que sou um monstro no vale da lua

ela acampa em silêncio.

 



Escrito por copyright by jorgeana braga às 17h15
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trecho do 'DIÁRIO DO ESCURO"

Sustento sim não adianta insistir. Sou a que menos teme a insistência menino. Por mais que a memória da paisagem branca anteceda a sonolência. A tosse grossa acorda as velhas. As coisas. Adoro a palavra coisa. Coiso em tudo que digo afirmo ou nego.Coisifico.

 

Mas devo permitir algumas intromissões, mesmo doloridas, nem tudo que é dolorido é desequilibrado. Não consigo dizer para ninguém que me sinto do avesso, como se meu ser, de uma hora para a outra, estivesse mudando de lado. Devo dizer que esse movimento é desconcertante, equivale a não ser mais a égua pura, dentro de uma esdrúxula fonte constante. Depois de uma certa idade não sei que papéis interpretar , nem sei se tenho um rosto a ser maquiado. Entro no ônibus e o lotado me parece invisível, me apresenta a sobra.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 19h44
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PARA O BORGES

 

 

há um vasto caminho que persigo nessa rua estreita. As pedras cada uma delas sinalizam pequenos portais de um ponto imemorial do universo. Piso naquilo que não lembra caminho na lenda daquilo que nada sabe sobre si. Sabe-se lá que parte do tempo parte que necessidade poética torna vasto o descer de pálpebras o ruminar de assombros  a leveza do exagero...Quando Borges às margens de Tlon diz que lua não é lua que lua é "aéreo-claro sobre redondo-escuro".



Escrito por copyright by jorgeana braga às 18h55
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QUANDO O CÉU IMPROVISA

E O MAR ANTI-ANIVERSÁRIO

UM CABO DE GUARDA-CHUVA PODE SER FELIZ.



Escrito por copyright by jorgeana braga às 11h29
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