em Marte com o Dr. Manhattan

Não leio quase nada nem mais escrevo. Subitamente nem sequer me interesso por algo dito nem por quem o diz. O mundo é essa estúpida repetição cansada ondas que se sobrepõem de forma idêntica e desarmoniosa. E o que falo não é sintoma de nenhuma falta química não tomo Rivotril. Não existem mais paisagens para serem vistas até o sol se tornou inimigo. [Into the wild, essa coisa que me desmontou o espírito - ouço em seu fundo a badalada manipulação]. Vou até contar como se conta um segredo que essa mania de manipulação já está interiorizada. É festa na arquibancada geral. Posso ser louca mas não vejo a beleza. Posso ser louca não suporto o “atesto” da esquizofrenia geral; hierarquias no trabalho gente comendo sem fome trepando sem vontade inventando parceiros inúteis. Como disse um amigo (os raros que sobraram) “é preciso abandonar a origem”. O que é diferente da origem? A paisagem? Os monumentos? O ir e vir? A minha cama é São Paulo Londres Tóquio. E não é. Fecho os olhos e apago o mundo. Invento rodas gigantes silenciosas. Não acredito nelas. Escrever para quê.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 15h31
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