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para jonathan.

Imagem: Ana Mendieta.
Nessas minhas enigmáticas travessias, quando eu entendia que era a vida e sua circunstância quem punha, em meu caminho, elementos mágicos; algum livro perdido em uma estante velha de sebo, um disco esquecido no guarda-roupa de papai, ou o cabelo de Catarina espalhando cheiro de cinza quando a gente ia ver o mar na beira-mar, eu lia por detrás das coisas e quase intuía que o espaço entre mim e o outro era mais importante que o famoso e tão defendido universo interior que me girava por dentro, ou mais importante que a cornualha de incompreensão que o outro fornicava em mim e versa-vice. Existe esse espaço de acontecimento que, lentamente, como quem acorda de um sono profético, começo a ver, e vejo porque a saída não é necessária, ela só é possível e isso é o bastante para quem nada espera. Pensei então, o entre, aquilo que está em meio a todos nós, como grande feixe de cruzamentos não é um monstro engolidor de corpos e cabeças, o entre tampouco é convite para adentrar, não é janela nem porta, não é fora ou dentro, o entre é a única possibilidade onírico-real de vencer o fato de que nos tornamos mortos. A morte mesmo é insistir nessa falha absurda de parar de se relacionar com os da mesma espécie porque o “universo interior” é realmente “auto-sustentável”. Ah, vou dizer como quem cospe e vomita ao mesmo tempo: ele não é. E vou cuspir além; durante muito tempo o que chamei de sonho foi um profundo e insustentável individualismo e como a menina que começa a andar volto o olhar enigmático para as velhas travessias.
Escrito por copyright by jorgeana braga às 18h09
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